26/05/2008
Quanto o mar vai subir? Ninguém sabe.

O aquecimento global já faz o nível do mar subir, isto é um fato. Mas as pesquisas ainda divergem muito sobre o impacto das mudanças climáticas no nível dos oceanos (de alguns centímetros a pouco mais de um metro).

A razão para isso é relativamente simples, conclui um grupo de 450 cientistas: as pesquisas oceânicas não acompanham a velocidade das mudanças climáticas. Os pesquisadores de 60 paises se reuniram entre na semana passada no Simpósio Internacional “Efeitos da Mudança Climática sobre os Oceanos do Mundo”, na cidade espanhola de Gijón.

De acordo com eles, a ciência oceânica está muito atrasada em relação aos efeitos do aquecimento global. E até agora não há uma compreensão clara de seus impactos atuais e futuros.

Há sinais de que a fauna e a flora oceânica não vão bem. Há também modificações na intensidade e na sazonalidade dos furacões. Mas faltam medições atualizadas sobre as condições marinhas (os dados têm mais de 20 anos) e a maior parte da informação é sobre uma pequena proporção dos oceanos.

(Luciana Vicária)

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26/05/2008
Os estrangeiros querem roubar a nossa Amazônia

Estrangeiros querem roubar nossa Amazônia. Essa foi uma das grandes justificativas para a construção das bases do exército na década de 60 e a abertura de estradas como a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém. Ocupar a Amazônia virou uma meta para não perdermos nossa floresta. Foi o auge da política do "integrar para não entregar". O projeto militar não deu em nada. As bases do exército na região vivem para fazer exercícios de combate na selva. Nossos militares são bons, pena que o equipamento de combate - carros e armas - são da década de 40. Apesar da falta de tecnologia muitos acreditam que estão aptos para uma batalha na selva. Alguns ainda esperam uma futura invasão estrangeira, provavelmente dos EUA. Teorias da conspiração de vários tipos servem para justificar a presença de tantos homens no coração da selva e longe das fronteiras do Brasil. Que desprotegida são rota de todo tipo de contrabando, armas, pessoas, metais, pedras preciosas e principalmente, as drogas.

Uma das mais conhecidas bases para provável internacionalização da Amazônia é a existência de um livro didático americano. No tal livro, que seria usado em escolas do todo o país, existiria a referência a floresta brasileira. Uma ilustração mostraria nossa Amazônia como um território internacional. Depois de muito bla bla bla, descobriram que o livro jamais existiu. Apesar disso, a história ainda é muito difundida.

Quase quatro décadas depois, a discussão ressurge. Desta vez, pela voz da própria mídia estrangeira. No início do mês o jornal americano The New York Times e o inglês The Guardian, voltaram a afirmar que o Brasil não tem condições de fazer a gestão de sua floresta. Eles reclamam ao mundo a administração da Amazônia. Apesar de improvável, os artigos viraram combustíveis para a discussão ganhar tom de incidente diplomático. Enquanto se discute a invasão estrangeira da Amazônia, o país volta a se esquecer dos problemas reais da região com:

1 - O nosso total desgoverno sobre os 21% do território que são terras da "união e estados", consideradas devolutas e terra de ninguém.

2- A fata de implementação dos 60 milhões de hectares de unidades conservação de papel

3- O caos sobre 80% de nossas reservas de madeira que continuam sendo foco de exploração ilegal.

4 - E claro, a volta descontrolada do desmatamento.

Frente a tantos problemas reais que não conseguimos resolver, o melhor talvez seja continuar procurando "focos" de invasão estrangeira.. Melhor que isso, só esperar pela volta dos alienígenas conhecidos como Chupa Chupa, que andaram sendo acusados de abduzir pessoas no Pará na década de 70...

Os estrangeiros querem roubar nossa Amazônia. Mas eles precisam correr porque os grileiros chegaram antes.

(Juliana Arini)

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27/05/2008
Os prédios mais bonitos são invisíveis

A nova onda da arquitetura com preocupações ambientais é esconder os edifícios. A empresa Data Islandia anunciou que vai construir um centro de computadores ecologicamente correto. O centro da Data Islândia ficará quase toda embaixo da terra. Vista do alto, parecerá ondulações naturais cobertas por relva. Os prédios pretendem se harmonizar com a paisagem.

Cada vez mais empresas dependem de grandes centros de computadores, para armazenar os dados e processar informação. Essas usinas de informática consomem energia como indústrias pesadas. Viraram uma dor de cabeça para as empresas de tecnologia. Os arquitentos da Islândia querem aproveitar o vento frio para reduzir a energia com refrigeração das máquinas. Dizem que o equipamento só vai rodar com energia renovável. No caso da Islândia, a eletricidade vêm de fontes geotérmicas naturais.

(Alexandre Mansur)

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27/05/2008


O balanço do triciclo elétrico

A montadora Americana Triac está lançando um triciclo elétrico. De frente, parece um Smart. De lado, não parece com nada. Pode acelerar a até 128 km/h. Depois de carregar por seis horas na tomada, tem autonomia para andar até 160 km de distância. Os fabricantes oferecem um kit de reforço de baterias que aumenta em 20% essa autonomia.

O carro custa US$ 20 mil nos EUA. É um preço bem amargo para um modelo que comporta duas pessoas, não vem com um porta-malas decente e não tem nem air bags. Os carros elétricos ainda estão longe de ser uma opção competitiva.

(Alexandre Mansur)

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27/05/2008
Os campeões de desmatamento da Mata Atlântica



Enquanto os holofotes estão voltados para as taxas de devastação na Amazônia, as florestas mais ameaçadas do país continuam minguando, bem perto da maioria de nós. Os campeões de desmatamento da Mata Atlântica foram os estados da Bahia, Santa Catarina e Minas Gerais. É o resultado do levantamento mais abrangente do floresta, feito pela organização
SOS Mata Atlântica. O estudo abrange o período entre 2000 e 2005. É feito a partir de imagens de satélite, identificando pequenos fragmentos da mata.

Os municípios campeões de desmatamento foram Mafra, Itaiópolis e Santa Cecília, em Santa Catarina. Eles foram os mais devastadores entre os 51 municípios analisados. Na foto acima, desmatamento, seguido de queimada, no município de Passos Maia, em Santa Catarina, em junho de 2005. A área devastada era uma das últimas florestas com araucária do país, um ecossistema de pinheiros que as próximas gerações de brasileiros terão poucas chances de conhecer.

Em números absolutos, Santa Catarina é o campeão de desmatamento no período, suprimindo 45.530 hectares de Mata Atlântica. Minas Gerais vem em seguida, tendo desmatado 41.349 hectares. O estado Gerais tinha 49% do território com florestas. A Bahia está em terceiro lugar, desmatando 36.040 hectares. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, a Bahia tinha 36% de seu território coberto por Mata Atlântica. Os demais Estados são: Paraná, 28.238 hectares; Mato Grosso do Sul, 10.560 hectares; São Paulo, 4.670 hectares; Goiás, 4.059 hectares; Rio Grande do Sul, 2.975 hectares; Espírito Santo, 778 hectares, e, finalmente, Rio de Janeiro, com 628 hectares.

(Alexandre Mansur)

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28/05/2008
Tourada à moda viking

As fotos ao lado chocam pela quantidade de sangue derramado pelas baleias sacrificadas cruelmente. Choca ainda mais quando se descobre onde isso ocorre: na Dinamarca, um dos países símbolos do desenvolvimento econômico e cultural no mundo.

Encurralar baleias e depois matá-las a golpes de facadas é um evento anual nas Ilhas Feroe, arquipélago de 47 mil habitantes na Dinamarca, como conta a reportagem do
Ambiente Brasil. A matança atrai moradores e até as crianças são dispensadas da aula para ver a carnificina.

Uma petição para acabar com a prática foi formulada e circula pela Internet. Segundo o documento, essa caça esportiva foi abandonada em todo o mundo e hoje é proibida. Ele afirma também que os habitantes da ilha sequer aproveitam a carne das baleias que é contaminada com metais pesados.

(Thaís Ferreira)

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28/05/2008
Eles estão preservando

O casal Elza Nishimura e Germano Woehl Jr, dirigentes do Instituto Rã-bugio, está criando uma reserva de preservação ambiental privada em Itaiópolis. É uma ação de conservação em um dos municípios catarinenses campeões nacionais de desmatamento da Mata Atlântica. A foto acima é da Elza em frente a uma figueira.

Parte das áreas preservadas de propriedade dos, foram adotadas pela campanha de neutralização de carbono do HSBC em parceria com a ONG conservacionista SPVS. Pelas estimativas do carbono estocado nesta área preservada, o casal vai receber R$ 2.800 por mês durante 5 anos. “O dinheiro terá que ser investido na proteção da área, como a contratação de vigilância e a construção de cercas e de uma sede”, diz Germano. “O restante da área será adotada gradualmente pela campanha da SPVS de neutralização de carbono em eventos a serem realizados em Curitiba.”

A propriedade fica nas cabeceiras do rio Itajaí e está em processo de transformação em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). “Mais de 90% da área é de mata primária, onde nunca houve exploração de madeira e abriga inúmeras espécies de aves e mamíferos ameaçadas de extinção”, afirma Germano. “Árvores ameaçadas centenárias, como a canela-preta e canela-sassafrás, são ainda abundantes ali.”

“A população de Blumenau é a mais beneficiada pela preservação das cabeceiras do rio Itajaí. A cidade sofre com as enchentes, devido à degradação ambiental ocorrida na bacia do rio”, diz Germano.

(Alexandre Mansur)

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28/05/2008
Gisele lança blog ecológico

A modelo número um do mundo, Gisele Bündchen, inaugurou ontem seu
blog ecológico. Lá ela diz que pretende trocar idéias sobre meio ambiente com os internautas. Um pouco de experiência ela já tem. Há dois anos com o programa "Y Ikatu Xingu", do Instituto SócioAmbiental, Gisele passou a defender as águas, em especial as da bacia hidrográfica do Rio Xingu. Em seguida passou a apoiar organizações como a "Nascentes do Brasil", da WWF.

Leia reportagem de ÉPOCA em que Gisele conta como acordou para a questão ambiental.
(Luciana Vicária)

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28/05/2008
Os marines já estão invadindo a Amazônia

Pelo nível de paranóia em torno da ameaça à soberania do Brasil na Amazônia, parece que os marines americanos já estão desembarcando para se apropriar de nossa floresta. Ou os marines ou outras forças militares internacionais. O sueco Johan Eliasch é acusado pela Agência Brasileira de Inteligência de dizer que, por “apenas US$ 50 bilhões”, se compra a floresta amazônica. “Ele é suspeito de fazer o que qualquer madeireira faz - só que ele faz para manter as árvores de pé. Logo, a Polícia Federal pretende investigá-lo”, diz
Marcos Sá Corrêa.

Eliasch fundou a Cool Earth, uma ONG que tem 12 mil patrocinadores e colhe doações para comprar terras e implantar projetos de conservação em regiões ameaçadas no planeta. Em alguns casos, compra áreas diretamente, para implantar reservas. Em outros, investe em projetos de conservação.

Segundo Sá Corrêa, isso não impede ninguém de aproveitar a proposta para declarar que a Amazônia é nossa. “Ela é. Ou será, enquanto existir. Ou o presidente Lula, de avisar que “a Amazônia tem dono”. Tem sim, até demais, privatizada por grilagens como está. Ela não tem governo exatamente por excesso de donos.”

(Alexandre Mansur)

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28/05/2008
A serviço de quem estão os ecologistas



Volta e meia vira moda falar que os ecologistas brasileiros estão a serviço de interesses internacionais. A onda cresce quando aumentam as críticas das ONGs ambientalistas a projetos de grande porte. Afinal, a serviço de quem estão os ecologistas? Uma boa dica é investigar quem os financia.

Foi o que fez a
editora Análise. Em seu anuário ambiental, eles perguntaram para as 481 maiores ONGs ambientalitas do país de onde vinham os recursos. A resposta: 53% disseram que o dinheiro vem da contribuição de sócios, 37% da venda de serviços ou produtos, 32% de doações de organismos nacionais e 32% de convênios com o próprio governo brasileiro. A soma dá mais de 100% porque as ONGs têm várias fontes de verba.

O financiamento estrangeiro é declarado por uma fração das ONGs. Pela pesquisa, 12% disseram receber doações de organismos internacionais e 11% que fazem convênios com financiadores estrangeiros.

Obs: A bela imagem acima foi tirada do blog Ética Já.

(Alexandre Mansur)

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29/05/2008
Aeroporto na areia

As obras do Porto Sul, entre Ilhéus e Itacaré na Bahia, estão sofrendo represálias por alguns ambientalistas. A ONG
Surfrider elaborou um abaixo-assinado para que as obras sejam canceladas.

O projeto do governo da Bahia é construir e um aeroporto internacional e um porto para escoar minério de ferro. Isso, segundo Roberto Vámos, diretor da ONG Surfrider, será um crime ambiental porque estará dentro da Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada. “O receio é que as áreas protegidas e a economia do turismo sejam comprometidas irreversivelmente pela nova lógica de povoamento da costa” diz.

Ele acusa também a falta de estudo de impactos ambientais. “O aeroporto consumiria mais 700 hectares em plena Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada, sobre remanescentes florestais e ao lado de povoados de pescadores artesanais” diz Vámos.

(Thaís Ferreira)

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30/05/2008
As doenças do aquecimento global

O aquecimento global não é o único mal causado pela devastação do meio ambiente. Com o desmatamento das florestas, por exemplo, colocamos o homem, seus animais domésticos e de criação (gado, cavalos, ovelhas) em contato mais próximo a animais silvestres. Dessa proximidade, um pode acabar passando enfermidades para o outro. “Nossa veterinária, Alessandra Nava, já encontrou cinomose, doença comum em cachorro, em onças pintadas e pardas no Mato Grosso do Sul”, diz Luciana Rolim, assessora do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê).

Para discutir esse assunto e muitos outros relacionados, além de propor políticas públicas, vários cientistas, pesquisadores, autoridades e profissionais da área de saúde, se encontrarão no Fórum Internacional EcoHealth – Ambientes Saudáveis, Comunidade Saudável. É organizado pelo Ipê, pela USP e pela Fiocruz, e promovido pelo INSP (Instituto Nacional de Salud Pública) e o IDRC (International Development Research Center). O fórum acontece dia 5 de dezembro, no México. Os interssados podem inscrever seus trabalhos até o dia 30 de junho. No
site do IPÊ existem mais informações.

(Alexandre Mansur)

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Alexandre Mansur
Editor de Ciência & Tecnologia da revista Época. Cobre meio ambiente há 16 anos. Já ganhou alguns prêmios, como o Reuters-IUCN Media Award. Diz que está preocupado com o aquecimento global, mas só quer salvar a praia de Ipanema.
 

Luciana Vicária

A repórter da ÉPOCA já enfrentou lacraias venenosas na Amazônia. Adora animais, mas já matou um peixe beta (ela jura que foi sem querer!). Há um ano, usa caixas de papelão no lugar das sacolas de plástico no supermercado.
 
Juliana Arini
A mato-grossense Juliana Arini cobre meio ambiente há 12 anos. Já trabalhou para ONGs, como o WWF, e produziu reportagens para a National Geographic. Tenta convencer os paulistas a parar de comer hambúrguer para salvar a Amazônia.
 
Marcela Buscato
Repórter da revista ÉPOCA. Não pisa em nenhum terreno off-road sem seu salto agulha. Tem medo do aquecimento global, mas não gosta dos ecochatos.
 
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  23/05/2008 - 30/05/2008 23/04/2008 - 23/05/2008
 
 

Para saber mais
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Imazon
Instituto Socioambiental
SOS Mata Atlantica
Fundação Boticário
Greenpeace
SPVS
WWF
Instituto Rã-Bugio
Conservação Internacional
Ipam
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