Em uma viagem por 12 universidades do Brasil, dois estudantes constataram que o tema sustentabilidade não gera interesse ou não é conhecido pela maior parte dos universitários. Por onde os dois passavam, perguntavam: “Você se considera sustentável?”. Até estudantes de biologia, economia e geografia desconheciam o conceito.
Giuliano Sorelli, 22 anos, e Carlos Canhisares, 25, foram a universidades divulgar e convidar estudantes para o I Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade. Eles conseguiram mil inscrições, mas tiveram só 130 presenças no dia do fórum.
“A porção que deveria se preocupar com a sustentabilidade fez pouco caso do assunto”, afirmou Sorelli ao Portal Aprendiz. Ele disse também que o descaso foi mais freqüente nas universidades particulares. Mas ainda há esperança. Pelo que os viajantes perceberam, o assuntou despertou curiosidade. “Ouvimos muitos comentários como: ‘gostei muito de conhecer o assunto’ e ‘agora vou começar a pensar sobre isso’”, lembra Canhisares.
Uma cidade de São Paulo com um milhão de carros a menos é o sonho de muitos paulistanos que sofrem com a lentidão do trânsito e a péssima qualidade de ar da cidade. E esse é o objetivo do Projeto MelhorAr que incentiva a carona corporativa.
Empresas de toda a cidade podem se cadastrar gratuitamente para que seus funcionários incluam no banco de dados do site o percurso que fazem entre a casa e o trabalho. Pelo sistema do Google Maps, os percursos são cruzados e dá para ver quem pode ir e voltar do trabalho dividindo o carro.
O projeto também tem uma calculadora para medir quanto CO2 deixou de ser emitido pelas empresas que adotaram o programa. Até 2011 a meta do MelhorAr é ter tirado um milhão de carros das ruas de São Paulo. Em2009, o projeto deve chegar a Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
“A emissora portuguesa RTP preparou uma série sobre as atitudes e situações comuns do nosso dia-a-dia que mostram o que de certo e errado fazemos, e o que podemos fazer para mudar.
“Este episódio trata sobre hábitos alimentares, abordando a importância em saber preparar corretamente os alimentos para as refeições, respeitando cuidados de higiene e de conservação que previnam a contaminação alimentar e garantam produtos mais frescos.”
A empresa Green Earth Technologies lançou um novo lubrificante ecologicamente correto. Quando jogado fora, cerca de 90% do produto se biodegrada em 9 dias. O óleo, da linha G-Oil, é feito com gordura de vacas. O novo lubrificante não se degrada dentro do motor, é claro. Ele começa a se decompor quando é misturado com um reagente próprio, o G-Disposoil. Depois, pode ser jogado em qualquer terreno que os microorganismos do solo dão conta de digerir o material. A empresa diz que o óleo é tão inofensivo que pode até ser bebido. No máximo, vai entupir as suas artérias.
02/07/2008 Sem Abrolhos os peixes podem desaparecer do sul da Bahia
Não é só por causa da beleza de suas praias e recifes de corais que o arquipélago de Abrolhos, no Sul da Bahia, pode ser considerado um paraíso. Essa semana um estudo da Universidade Federal da Paraíba comprovou que a região também é fundamental para reprodução dos peixes. A maior barreira de corais do Atlântico Sul é um verdadeiro berçário de espécies como o budião-azul, o badejo-quadrado e a guaíuba. O estudo também alerta que sem a proteção dos recifes grande parte dos estoques pesqueiros podem desaparecer do Sul da Bahia. Os autores da pesquisa, o professor da UFPB e o biólogo da Conservação Internacional, Rodrigo Moura também conseguiram levantar dados inéditos sobre a importância dos recifes profundos, e afastados da costa.
O estudo é uma chance para se repensar o futuro que o governo está destinando à região. A construção de um grande empreendimento para a criação de camarões, a carcinicultura é uma das grandes ameaças que paria sobre Abrolhos. As obras foram canceladas pelos órgãos ambientais, mas liminares judiciais podem reverter a decisão. Outra problema é a pesca predatória. É cada vez mais comum ver gigantescos barcos pesqueiros jogando redes na região dos recifes mais profundos.
A maioria das pessoas doa o celular antigo quando compra um modelo mais novo. Mas alguns aparelhos vão parar no fundo da gaveta. Ou pior, no lixo. Para evitar isso, um grupo de americanos criou a Flipswap, uma organização que oferece algum dinheiro pelo seu aparelho antigo e depois repassa para quem não teria grana para comprar um novo.
Dá para vender o aparelho velho em 4 mil lojas conveniadas ou pelo site. Só no ano passado, a Flipswap redistribuiu aparelhos equivalentes a 50 toneladas de lixo.
A National Science Foundation, dos EUA, acaba de postar no YouTube um vídeo que explica o que está acontecendo com a Groenlândia. O gelo fixado na rocha está se desprendendo com velocidade dobrada. Esse gelo, quando chega ao mar, eleva o nível dos oceanos. Se toda a Groenlândia derreter, o mar subiria 12 metros. Ninguém espera um derretimento total desses neste século. Mas os cientistas acreditam em mais um verão extraordinário no Pólo Norte nestes meses. E isso apressa o derretimento na Groenlândia.
Todas essas sacolas ecologicamente corretas que nós ganhamos para substituir os sacos plásticos no supermercado são bem intencionadas. Além de belas peças de marketing. Mas seu efeito na consciência do consumidor ainda é duvidoso. Ontem, dei uma sacola dessas para uma consumidora amiga minha, mãe de família, freqüentadora usual do supermercado. Ela agradeceu e disse:
“Estou guardando todas. No dia que os supermercados pararem de dar sacolinha de plástico, eu já tenho substituto”.
Um estudante britânico de desenho industrial desenvolveu uma bicicleta feita com papelão. Phil Bridge, de 21 anos, diz que teve a idéia para baratear o custo das bicicletas. O modelo projetado por ele tem um quadro todo de papelão que custa cerca de US$ 6 para ser produzido. As rodas, os pedais e a corrente são feitos com material convencional. Custam cerca de US$ 24. Phil diz que o protótipo ainda precisa ser aprimorado.É uma boa idéia para popularizar as bicicletas nas cidades. Um modelo desses pode até ser dado de brinde. Só não é indicado em um dia de chuva.
O Pólo Norte pode ficar sem gelo já este ano. É o que afirmam cada vez mais pesquisadores que acompanham a aceleração do degelo no Ártico. Mesmo que a calota de gelo flutuante não derreta toda até agosto, ela dificilmente sobreviverá aos verões dos próximos cinco anos.
A extensão de gelo no Ártico no mês de junho se aproximou do recorde de derretimento do mesmo mês no ano passado. Em 2007, o gelo do Ártico teve o maior encolhimento desde que medições precisas são feitas, em 1979. O dado mais relevante deste ano é que, segundo indicações de satélites, o derretimento começou mais cedo do que no ano passado em vários pontos do Ártico.
O derretimento prematuro deste ano pode ser visto no gráfico abaixo. Ele mostra, por cores, quando o gelo começou a derreter em cada porção do Ártico nos últimos anos. O que começou a degelar em maio está em verde claro. No início de junho, em verde escuro. E o previsto para julho está em azul. Repare como o trecho em verde (que começou a derreter em maio) é maior em 2008.
O recuo no gelo do Ártico pode abrir novos caminhos para navegação. Mas as conseqüências negativas superam os possíveis ganhos. Esqueça os ursos polares. O que está em jogo são nossas praias e nossas cidades litorâneas. A calota de gelo branco reflete 80% da luz e do calor solar. É um imenso guarda-sol na Terra. Na medida que o gelo claro vira água escura, a superfície passa a absorver 80% do calor. Com isso, o oceano esquenta mais rápido.
A linha azul no gráfico abaixo pode determinar o futuro do Ártico, e de nossas praias. Ela indica quanto da superfície do Oceano Ártico tem pelo menos 15% de gelo. A linha é atualizada dia-a-dia pelo Centro Nacional de Gelo e Neve, dos EUA. Repare como a linha azul se aproxima da linha tracejada verde, que representa o recuo no gelo no verão do ano passado. A linha cinza mostra como o gelo se comportava em anos normais.
O gelo flutuante do Ártico não vai afeta o nível do mar. Mas o aquecimento no Pólo Norte acelera o derretimento das geleiras da Groenlândia. Essas estão ancoradas na rocha. Na medida que se desprendem, passam a flutuar no oceano, e aí sim aumentam o nível do mar. Se metade da Groenlândia derreter, os oceanos sobem, em média, cerca de 6 metros. Ninguém imaginava que isso fosse ocorrer neste século. Mas o derretimento no Ártico está se acelerando muito além das piores previsões.
Editor de Ciência & Tecnologia da revista Época. Cobre meio ambiente há 16 anos. Já ganhou alguns prêmios, como o Reuters-IUCN Media Award. Diz que está preocupado com o aquecimento global, mas só quer salvar a praia de Ipanema.
Luciana Vicária
A repórter da ÉPOCA já enfrentou lacraias venenosas na Amazônia. Adora animais, mas já matou um peixe beta (ela jura que foi sem querer!). Há um ano, usa caixas de papelão no lugar das sacolas de plástico no supermercado.
Juliana Arini
A mato-grossense Juliana Arini cobre meio ambiente há 12 anos. Já trabalhou para ONGs, como o WWF, e produziu reportagens para a National Geographic. Tenta convencer os paulistas a parar de comer hambúrguer para salvar a Amazônia.
Marcela Buscato
Repórter da revista ÉPOCA. Não pisa em nenhum terreno off-road sem seu salto agulha. Tem medo do aquecimento global, mas não gosta dos ecochatos.