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26/06/2008
Aquecimento global vai custar o dobro
Os governos vão gastar no mínimo 2% do PIB mundial no combate às mudanças climáticas. O aumento do número de secas, furacões e inundações serão as principais causas dessas perdas financeiras. O anúncio foi feito por Nicolas Stern, ex-economista chefe do Banco Mundial. Ele foi o autor de um estudo encomendado pelo governo inglês sobre as conseqüências das mudanças climáticas na economia global. Em 2006, quando o relatório foi publicado, empresas e governos de países industrializados ficaram alarmados com a possibilidade de gastar 1% do PIB mundial por causa das alterações no clima do planeta. Na quarta-feira Stern fez um alerta pior. Em uma entrevista ao jornal inglês The Guardian, ele afirmou que os gastos mínimos com o aquecimento global vão representar o dobro do previsto no relatório de dois anos atrás.
A aceleração dos efeitos das mudanças climáticas foi a justificativa para a mudança nas estimativas. A falta de cumprimento das metas de redução das emissões de gases que causam o aquecimento global seria a principal causa dessa aceleração.
Stern tambem propôs uma solução drástica. Os EUA e o Reino Unido devem cortar 80% de suas emissões até 2050. Fato improvável em uma realidade onde as nações ricas não conseguem reduzir nem 5% das emissões acordados na Conferência Mundial do Clima. Para tentar contornar o problema, políticos ingleses divulgaram que pretendem criar um novo imposto ambiental. O foco deve ser os combustíveis fósseis – gasolina e diesel – usados para abastecer veículos. Uma má notícia para um momento de alto no preço do petróleo.
(Juliana Arini) |
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26/06/2008
Os pingüins gostam de nossas praias

Todo inverno, as pessoas nas praias da região Sudeste se surpreendem com a chegada de pingüins. Parece que os bichos, típicos da Antártida ou da Patagônia, se perderam e foram parar em alguma praia tropical. Na terça passada, cinco pingüins foram encontrados no litoral do Rio. Foram resgatados em alto mar por pescadores entre Cabo Frio e Búzios e em praias de Niterói.
O que as pessoas não imaginam é que esses pingüins não estão perdidos. Ao contrário. Eles freqüentam nossas praias regularmente. É o que conta a bióloga Claudia Vega Ruiz, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio.
Época: As pessoas sempre se surpreendem no inverno ao encontrar pinguins nas praias do Sudeste. Por que eles chegam aqui? Eles estão perdidos ou é a área natural deles? Claudia: Eles não estão perdidos. A região norte do litoral do Rio é parte da distribuição natural deles. É uma migração que já foi comprovada. Eles vêm nadando com as correntes marinhas, em busca de alimento. Nessas águas, comem principalmente lulas.
Época: De ondem eles vêm? Claudia: Os pingüins vêm do sul do continente. Principalmente da Península de Valdes, na Argentina. É lá que está uma das maiores colônias de reprodução da espécie.
Época: Esses pinguins que vem parar nas praias do Rio de Janeiro e outras da região precisam de cuidados? A gente deve botá-los no freezer? Claudia: Não podemos colocá-los no freezer porque eles morrem de hipotermia. Eles vivem em águas frias e podem suportar temperaturas baixas porque tem uma camada grossa de gordura sob a pele que funciona como isolante térmico. Mas os pingüins que chegam no Rio percorreram uma distância muito grande. Passaram por um grande desgaste energético. E essa capa de gordura foi consumida na viagem. O melhor a fazer, se o animal não tem nenhuma ferida aparente, é deixar o pingüim na praia para ele continuar seu percurso natural. Para que ele continua caçando seu peixe ou lula.
Época: Você está pesquisando a concentração metais pesados no corpo de alguns pinguins que encalham. Que pinguins são esses? Claudia: São carcaças de pingüins que chegam durante o inverno na Região dos Lagos, no litoral do Rio. Eles são encontrados mortos. A causa da morte é desconhecida. Mas pode ser devido ao cansaço e o desgaste físico do animal durante a migração. Isso também é parte do fenômeno natural. Já foi registrado que 45% dos pingüins jovens morrem nessa fase de procura por alimentos.
Época: O que o estudo de concentração de metais pesados revela? Claudia: Os pingüins que chegam o Rio têm concentrações de cádmio e mercúrio no fígado. Esses contaminantes podem vir de fontes naturais ou poluição provocada pelo homem. Para definir isso, será preciso fazermos mais estudos.
Época: A presença de metais pesados no corpo dos pinguins que nadam até aqui significa que os peixes pescados nessa região também estariam contaminados? Claudia: Sim. Os metais entram nos organismos dos bichos por meio da dieta. Ou seja, o alimento desses pingüins, que são os peixes e as lulas, têm concentrações desses metais.
A foto acima é do biólogo Ignacio Moreno.
(Alexandre Mansur) |
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26/06/2008
Só no discurso
A agência de comunicação Havas Digital fez uma pesquisa on-line com mais de 11.000 entrevistados, em 200 países – entre eles Brasil, Estados Unidos, Inglaterra e China –, para descobrir o que os consumidores pensam sobre seu papel na preservação do meio ambiente.
De acordo com a pesquisa, 80% dos entrevistados foram considerados “Atentos” (entendem as mudanças climáticas e estão preocupados com as conseqüências no nível pessoal) ou “Engajados” (prestam muita atenção no assunto e estão apreensivos com os impactos locais).
O Brasil seria o país em que as pessoas estão mais preocupadas com as mudanças climáticas e, por isso, dispostas a mudar de atitude. Entre os brasileiros, 58% declararam estar mais inclinados a comprar produtos ecologicamente corretos nos próximos 12 meses. Mas, quando o assunto é o bolso, apenas 38% dos brasileiros entrevistados se disseram dispostos a pagar um pouco a mais por esses bens – apesar de 91% deles terem dito preferir comprar de empresas que estão tentando reduzir sua contribuição para o aquecimento global.
Se alguém ainda tinha alguma dúvida, a pesquisa confirmou que preservar o meio ambiente é uma questão de sobrevivência para as empresas. Mas, por outro lado, mostrou que para a maior parte dos consumidores as boas intenções ficam só no discurso. Você paga mais por produtos que preservem o meio ambiente?
(Marcela Buscato)
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25/06/2008
Quem vai comer o boi pirata?
“Os bois apreendidos na floresta vão virar recurso do programa Fome Zero”. A frase já virou um mantra entoado pelo ministro do Meio Ambiente Carlos Minc durante suas entrevistas. A medida até parece estar indo adiante. Já foram apreendidos 3100 bois em uma reserva florestal, no Pará, e nas próximas semanas serão embargadas mais 10 mil cabeças, em Rondônia. Esse gado vai ser leiloado e o dinheiro, segundo Minc, será usado para aplacar a fome do país. O acordo para o repasse foi firmado no início do mês.
Mas nem toda verba arrecadada com os leilões vai realmente ser destinada para o Fome Zero. Apenas parte do dinheiro vai chegar ao programa. A outra parte será aplicada em ações de fiscalização e, principalmente, para pagar o transporte do gado das fazendas onde foi detectado o desmatamento ilegal. Afinal, retirar bois de regiões onde as estradas são horríveis custa dinheiro e alguém vai ter que pagar a conta. Outro fato que está distante dos discursos do ministro é que o dinheiro que chegar ao Fome Zero volta para a Amazônia. A verba será destinada para comunidades ribeirinhas e reservas extrativistas da região. Mas ninguém sabe explicar ainda como esse dinheiro vai aplicado. O grande churrasco ecológico parece ser mais uma metáfora ministerial. Quem estiver esperando para ver as famílias famintas comendo a carne de boi pirata, como Minc se refere ao rebanho ilegal, pode sentar e esperar.
(Juliana Arini) |
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25/06/2008
O destino das baleias está em jogo

Começa hoje e vai até sexta-feira a 60ª reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI), no Chile. Na pauta deste ano estão a criação dos santuários Atlântico Sul e Pacífico Sul e a proibição da caça científica de baleias. Ativistas de direitos dos animais querem ampliar o debate demonstrando dados sobre o lado comercial da caça aborígene na Groenlândia e fazendo lobby para que a proibição da caça comercial de baleias seja adotada por todos os países. Hoje, alguns países como o Japão mantém a caça.
“Como não há uma forma humanitária de se matar uma baleia no mar, nós somos contra qualquer decisão que sancione a matança de baleias”, diz a britânica Claire Bass, da Sociedade Mundial para Proteção Animal (WSPA). “Os métodos usados ainda são cruéis e as baleias sofrem com isso.” A foto da baleia corcunda acima é de Bryant Austin. (Alexandre Mansur) |
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25/06/2008
A salada vem do telhado
Quer umas verduras? Vá buscar lá no telhado. O estudante Marcos Vitorino, da Faculdade Cantareira, está desenvolvendo um projeto de hortas sobre telhas em espaços pouco valorizados da metrópole, como lajes, quintais e terrenos de imóveis comerciais e residenciais. As horas foram plantadas no Colégio Jardim São Paulo, na Zona Norte, e no próprio campus da Faculdade Cantareira, no bairro do Belém, ambos na capital paulista.
A produção da horta do colégio tem a participação dos alunos do ensino fundamental, e vai direto para a merenda das crianças. A primeira colheita da horta da faculdade deve acontecer entre esta semana e a semana que vem, e também está prevista para ser consumida localmente. Esse é um dos benefícios: os vegetais vão direto da terra para o prato.
Quanto custa implantar uma horta no alto de um prédio ou casa? O método da produção nas telhas pode ser adaptado a qualquer espaço, desde que haja incidência de sol. As telhas da foto, por exemplo, têm quatro metros de comprimento, e cada uma custa em torno de R$ 150. Uma telha de um metro custa menos da metade desse preço. Fora isso, há ainda o custo com terra e sementes, normalmente encontradas a um preço acessível.
O que barateia a horta suspensa é que a própria telha garante uma impermeabilização adequada, até porque é feita para isso mesmo. O escoamento de água é feito diretamente para uma calha ou ralo que já exista no local.
(Alexandre Mansur) |
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24/06/2008
O BNDES ficou mais verde
As torneirinhas que abastecem o setor privado de crédito para seus empreendimentos exigem cada vez mais cuidados ambientais. Alguns bancos privados condicionam seus empréstimos a cláusulas ambientais (confira entrevista com Fábio Barbosa, presidente do Banco Real). Agora, essas regras também ficaram mais rígidas no maior financiador de todos, o BNDES.
Hoje, o presidente do banco, Luciano Coutinho, explicou que a instituição vai adotar uma cláusula de exigências ambientais e sociais. Ela detalha que as empresas não podem ter nenhum tipo de complicação social, como denúncias de trabalho infantil, indícios de mão-de-obra em condições degradantes ou práticas discriminatórias. Também não podem ter problemas com as agências de meio ambiente. “Se alguma entidade pública levantar alguma objeção à empresa, o BNDES cancela o processo de empréstimo”, disse Coutinho. Além disso, ele afirmou que, se alguma punição por infração ambiental ou social tiver um julgamento definitivo contra alguma empresa com empréstimo do banco, o fim do contrato será antecipado.
As regras mais rígidas vão fazer diferença até mesmo na execução dos grandes projetos, como obras do PAC, que o BNDES financia. “Já sabemos que os grandes projetos, como obras de infra-estrutura ou pólos industriais, podem provocar grandes impactos sociais e ambientais na área de seu entorno”, disse Coutinho. “E é menos oneroso preveni-los do que tentar remediá-los depois”.
Coutinho fez os anúncios em um discurso durante o almoço do evento Encontro de Presidentes, um seminário com os principais líderes empresariais do país e os ministros da área social, promovido pelo Insituto Ethos. O encontro está acontecendo agora, em São Paulo.
Na foto acima, obra da hidrelétrica de Campos Novos, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A usina, em parte financiada pelo BNDES, tem impacto na Mata Atlântica local e nos rios da região. Seu estudo de impacto ambiental foi bastante questionado. Será que uma história como essa se repetiria nos novos projetos, até mesmo na Amazônia?
(Alexandre Mansur) |
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23/06/2008
Carcará

Esse carcará voando sobre uma cerca em São José dos Campos é uma das belas imagens do blog de Márcio Prado, motanhista e educador ambiental.
"Ainda muito criança, minha mãe me estimulava muito em relação a paisagens, animais, plantas, rios, etc", conta Márcio no blog Educom Verde de Débora Menezes. "Meus pais cresceram na roça e ao menos uma vez por mês íamos para sítios na região de Campinas, visitar os familiares de minha mãe. Acho que comecei a desenvolver a necessidade de vida ao ar livre nesta época, quando minhas aventuras eram ir pescar e nadar em rios e lagos, andar por matas e plantações e me entusiasmar nos encontros com a vida silvestre."
(Alexandre Mansur) |
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22/06/2008
Um fã improvável da energia hidrelétrica
O canadense Patrick Moore se tornou “persona non grata” entre os ambientalistas. Na década de 1970, sua carreira na área começou bem promissora: ele foi um dos fundadores do Greenpeace, a organização ambiental que se tornaria uma das mais influentes do mundo. Mas, em 1986, Moore deixou o Greenpeace alegando discordâncias ideológicas. Ele diz que a organização não tem conhecimento para falar com propriedade sobre os assuntos que defende – porque seus líderes não seriam cientistas.
Formado em Biologia Florestal pela Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, onde também cursou o pós-doutorado, Moore abriu sua própria consultoria, a Greenspirit Strategies, e passou a trabalhar com indústrias e governos. Os ambientalistas, porém, não ficaram nenhum um pouco contentes quando ele começou a defender alimentos transgênicos e energia nuclear – que seria uma opção para frear o aquecimento global porque emite menos gás carbônico que fontes fósseis. Hoje, Moore é pago pela associação das indústrias nucleares dos Estados Unidos para explicar para os americanos as vantagens desse tipo de energia.
Mesmo defendendo a energia nuclear como solução para nos salvar do aquecimento global, Moore disse em entrevista a ÉPOCA que, se tivesse de escolher um só tipo de energia para um país, escolheria a hidrelétrica. Perguntado sobre a opção brasileira em investir em uma nova usina nuclear, Angra 3, apesar de todo o potencial hidrelétrico do país, ele respondeu:
“No geral, eu acho que a energia hidrelétrica é a melhor forma de eletricidade: é renovável, você pode ligar e desligar facilmente e por isso dá para acompanhar a necessidade energética do país. Há muito benefícios que a fazem desejável. Por outro lado, também é bom ter um mix de tecnologias no sistema elétrico. Não é bom ter só uma tecnologia. Mas, se eu tivesse que ter só uma, eu escolheria a hidrelétrica.”
Nos Estados Unidos, os ambientalistas atacam Moore, chamando-o de lobista da indústria nuclear (título que ele recusa veementemente). Lobista ou não, não é que até ele é fã de energia hidrelétrica?
Veja a íntegra da entrevista com Patrick Moore na revista “Época” desta semana
(Marcela Buscato)
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21/06/2008
Que vença a melhor fonte energética
O mercado pode decidir qual é a melhor fonte de energia. O engenheiro Franklin Palheiros, leitor assíduo do nosso blog, fez uma proposta simples e ousada para decidir a disputa pelo melhor caminho energético para o Brasil. Eis o que sugere Franklin:
“Visto que no Brasil não há concorrente (em termos de custo e emissão de gás carbônico) para as grandes hidrelétricas, o governo brasileiro deveria criar dois leilões somente:
“1. Leilão para hidros. Com isso teríamos de 85% a 95% da nossa matriz limpa, renovável e sem emissão de carbono
“2 Leilão para "outras". Independente da fonte energética (sol, vento, urânio, gás, carvão, óleo, etc). Deixem que elas briguem entre si para ver quem consegue ser a melhor alternativa para épocas de seca dos reservatórios.
“E privatiza tudo! Quem quiser se aventurar (seja nas térmicas, eólicas ou etc.), que coloque o próprio dinheiro - para a menor tarifa a ser definida nesse segundo leilão.”
Franklin sugere que o investidor deve arcar com o descomissionamento da usina (que é o desativamento no fim da vida útil), as multas contratuais por falta de geração e os tratamento de rejeitos. O investidor também deve definir uma área a ser reflorestada para compensar o gás carbônico emitido, ou pagar U$ 46 por tonelada.
(Alexandre Mansur) |
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