Diante do post anterior, recebi o link de um vídeo feito pela produtora alemã HTTV em 2007. Conta sobre a tentativa por parte da Monsanto de patentear os genes de um porco. O vídeo está aí. Cada um tira suas próprias conclusões. E vamos ao debate.
A Monsanto, empresa fabricante de sementes e insumos agrícolas, ganhou inimizade de boa parte dos ecologistas graças a sua tecnologia de plantas transgências. Um bom número de ONGs ambientalistas teme que os transgênicos possam alterar a genética de plantas convencionais perto das áreas cultivadas. No entanto, o uso de algumas variedades transgênicas consegue reduzir a necessidade de agrotóxicos, o que faz bem para a natureza. A polêmica continua.
Agora a Monsanto quer se firmar como amiga da natureza. Para isso, está lançando a Iniciativa de Desenvolvimento Sustentável. O planto inclui três metas. A primeira é dobrar o rendimento de sementes de milho, soja e algodão até 2030. Nos próximos cinco anos, a empresa diz que destinará US$ 10 milhões ao setor público de pesquisa para melhorar o rendimento de novas variedades de trigo e arroz. A cada ano, um painel mundial de experts selecionará um projeto diferente, que receberá US$ 2 milhões em investimentos.
O segundo compromisso da Monsanto é desenvolver, também até 2030, sementes que reduzam em 1/3 a quantidade de recursos para o cultivo das plantas. Variedades de milho, soja e algodão serão capazes de produzir mais sem a necessidade de aumentar a área da lavoura, permitindo menor uso de água, energia e insumos agrícolas.
E a terceira meta da Monsanto é compartilhar conhecimentos com pequenos produtores e agricultores de baixa renda. A empresa estabeleceu parcerias com produtores de tecnologia e quatro organizações governamentais na África para o desenvolvimento de variedades de milho tolerantes à seca, investimento em banco de sementes e sem cobrança de royalties. A expectativa é melhorar a qualidade de vida desses agricultores ao ampliar a rentabilidade da lavoura e possibilitar a redução de agentes químicos no campo. O milho transgênico tolerante à seca desenvolvido para as condições africanas deve chegar ao mercado em dez anos, segundo a Monsanto.
Será que essa iniciativa ajuda a mudar a imagem da empresa?
Seis agentes de entomologia de Cruzeiro do Sul, a 648 quilômetros de Rio Branco, confirmaram, em depoimento à Polícia Federal, que serviram de cobaias humanas na captura e armazenamento de mosquitos do gênero Anopheles (anofelino), o transmissor da malária. É o que conta o repórter Chico Araújo, da Agência Amazônia. Segundo Araújo, os agentes também respondem a sindicância administrativa em 2007 e neste ano por denunciarem as más condições de trabalho.
“Nove agentes receberam ameaças e foram retirados da folha de pagamento, depois que três deles deram entrevistas a emissoras de TV locais. Outros três foram demitidos da função por terem denunciado a utilização de inseticida vencido no combate aos criadouros: Clodomir Cavalcante da Silva, Hélio Mendonça Uchôa e Welington da Silva.
“Demitidos, procuraram apoio político. Numa reunião no Clube da Farinhada, com o presidente da Assembléia Legislativa do Acre, Edivaldo Magalhães (PCdoB) e o vice-governador do Estado, César Messias (PP), eles pediram para retornar ao trabalho. Até hoje não obtiveram resposta. À PF os agentes relataram como ficavam expostos às picadas. ‘A Secretaria de Saúde orientava a ficar com as calças suspensas até a altura do joelho, com as meias pretas até a metade da canela e os joelhos expostos’, reiterou Ferreira.”
17/07/2008 A economia evoluiu em favor da energia nuclear?
O consultor Ricardo Neves, nosso colunista, publicou na última edição de Época um artigo afirmando que a política nuclear brasileira é um equívoco. Para ele, o Brasil tem outras opções melhores. O plano anunciado recentemente pelo governo para priorizar a instalação de novas usinas é apenas do interesse do lobby da indústria nuclear. Não é primeira vez que Neves escreve sobre isso. No início do ano, em outra coluna, ele contou como a Alemanha, que foi pioneira na energia nuclear, e vendeu parte do projeto brasileiro, agora se prepara para fechar suas usinas. Para Neves, o principal problema das nucleares no Brasil é que elas só se sustentam às custas de subsídios governamentais não declarados. Isso, inclusive, foi foco de uma reportagem de Época no ano passado.
Diante do artigo de Neves, a Eletronuclear mandou uma carta respondendo com argumentos a favor de um investimento do país na energia nuclear.
“De início, o articulista denuncia a existência de um ‘lobby nuclear’ internacional que estaria por trás do soerguimento dessa indústria no mundo. É preciso esclarecer que a guinada de 180º promovida nos últimos anos no cenário nuclear tem a ver, sim, com a busca por uma solução energética que não produza CO2 – um sério ameaçador do planeta. Pois bem, a energia nuclear não produz CO2.
“Em 2006, pela primeira vez na sua história, a Agência Internacional de Energia (AIE) defendeu as vantagens da opção nuclear: ‘A economia evoluiu em favor da energia nuclear, que oferece vantagens consideráveis na redução das emissões de gás de efeito estufa e em termos de segurança energética’, explicou a AIE nas suas Perspectivas Energéticas Mundiais de 2006 (PEM). Na apresentação do documento, o diretor-executivo da agência, Claude Mandil, sublinhou: ‘não vejo como poderemos evitar o nuclear se queremos ter um futuro sustentável no longo prazo. Globalmente, consideramos que o nuclear tem de fazer parte do mix energético’.”
O repórter Alailson Muniz, da Agência Amazônia, descreve a disputa por madeira ilegal no Pará.
“Numa região de difícil acesso e distante cerca 140 km do município de Santarém, no Oeste do Estado, milícias de madeireiros ilegais estão se matando dentro da mata fechada numa disputa que põe em jogo uma área de mais de 1 milhão de hectares de floresta primária e que possui cerca de R$ 30 bilhões em madeira. Curuatinga fica localizada às margens do rio de mesmo nome, que é afluente do rio Curuá-Una. A maneira mais fácil de chegar até a região é por barco. A vida pacata da região começou a mudar depois que várias madeireiras passaram a se instalar na região. Grupos de pessoas armadas passaram a circular dentro da mata, fazendo picos que demarcam as áreas que estão sendo desmatadas de forma ilegal.”
16/07/2008 O que a Lorena Calabria faz para salvar o planeta
O que cada um de nós pode fazer para poupar os recursos naturais do planeta? Para responder a essa pergunta, o programa Happy Hour do GNT reuniu algumas pessoas, incluindo consumidores conscientes e eu. Aproveitei para perguntar o que a apresentadora do programa, Lorena Calabria, faz em seu cotidiano. Ela está bem avançada. Faz até compostagem do lixo. Uma das convidadas do programa, a cantora Izabella Rocha, do grupo In Natura, também contou sua experiência.
O que você faz? Poste um vídeo no YouTube contando sua contribuição como consumidor que eu destaco aqui no Blog do Planeta.
O turismo ecológico talvez seja uma das últimas esperanças para valorizar as belezas naturais do cerrado, e criar mecanismos econômicos para preserva-las. Ou pelo menos um pedaço delas. O pessoal do Pontal do Triângulo, em Minas Gerais, está desenvolvendo roteiros para aproximar os moradores das grandes cidades dos cenários ainda íntegros do interior do estado. A história está bem contada nessa reportagem do MGTV, da Globo.
Uma das formas mais simpáticas de explicar o que é o tal desenvolvimento sustentável foi encontrada pelo casal Gabriel Moojen e Francielle Zanon. Eles filmam a série O Mundo de Valentina. São documentários que mostram como será o planeta que a filha deles, Valentina, vai encontrar, se nós não cuidarmos do nosso ambiente. Os vídeos vão ao ar no programa Happy Hour, do canal GNT.
A empresa de arquitetos Diseño Earle da Espanha projetou uma inovadora casa ecológica. Ela cumpre todos os quesitos verdes, de reaproveitamento de água ao uso de vidros eficientes para reduzir o gasto com ar condicionado. Embaixo da área habitada corre um canal de 30 centímetros de profundidade, com água corrente para também resfriar os cômodos.
Mas a grande novidade da casa é o telhado, com forma de asas. Ele é destacado da estrutura do prédio por estruturas metálicas. Essa distância entre o telhado e a laje é fundamental para garantir o arejamento dos cômodos. Com a separação, menos calor é transmitido diretamente do telhado para a laje no teto da casa. Os cômodos também têm venezianas no teto e na parte superior das paredes ou janelas, para aumentar a circulação do ar. O ângulo do telhado foi planejado para maximizar o aproveitamento dos painéis solares. A empresa espera que a casa esteja disponível para venda no ano que vem.
Quem não sabe como exercer sua consciência ecológica no supermercado ou teme gastar muito ao escolher produtos que não agridam o meio ambiente pode tirar suas dúvidas hoje no programa “Happy Hour” , exibido às 19h pelo canal de televisão a cabo GNT.
Alexandre Mansur, editor deste Blog do Planeta e da revista ÉPOCA, Izabella Rocha, cantora da banda de reggae In Natura, e o ex-Los Hermanos Bruno Medina debaterão como é possível defender o meio ambiente na hora de encher o carrinho.
Quem perder o programa ao vivo pode conferir a reprise amanhã, dia 15 ( 00h00 e 12h30).
Os cães na China são uma praga. Não é à toa que tem gente que come os bichos por lá.
O antropólogo viajante da Nokia, Jan Chipchase, registrou uma invenção dos motoristas de Pequim para se defenderem da urina canina. Eles colocam placas ou pedaços de telha na lateral dos pneus para evitar que fiquem sujos de mijo. Não é muito estético. Mas o estrago provocado pelos cães também não é. E ainda cheira mal.
Chipchase sugere que os ecologistas podem criar brigadas de cães bem hidratados para marcar os carros estacionados nas ruas e desestimular o uso do automóvel. O problema vai ser lidar com a sujeira dos cachorros.
A poluição da urina dos cães não é privilégio da China. No Brasil, é comum encontrar calçadas com cheiro forte e as manchas deixadas por cães sem dono ou cães com dono sem noção. Fica pior no inverno, quando há menos chuvas para lavar a sujeira.
Pesquisadores argentinos buscam uma solução para reduzir a contribuição nacional com as mudanças climáticas. O problema do país é o metano (CH4), resultante da ruminação e dos “puns” das vacas. O CH4 é vinte vezes mais potente que o gás carbônico (CO2) como combustível do aquecimento global. Na Argentina o metano é produzido por 45 milhões bois e corresponde a 30% das emissões.
Para minimizar o problema, cientistas buscam uma “dieta” que faça as vacas emitirem menos gases. Eles usam bizarros tanques de plásticos, fixados na costa dos animais, para monitorar o quanto o boi produz de CH4. A ação pode até parecer piada, mas o problema é sério. No mundo o gado também é responsável por 28% das emissões dos gases que aquecem o planeta.
A iniciativa argentina é um bom exemplo a ser seguido pelo Brasil. Infelizmente, o nosso rebanho de 200 milhões de cabeças ainda não é o foco de muitos debates quando o assunto é o aquecimento global. A grande questão nacional é a destruição das florestas, responsável por 75% das emissões brasileiras. Mas o problema do metano pode um dia superar o desmatamento. Temos o segundo maior rebanho bovino do mundo, um número quatro vezes superior ao da Argentina. E a carne é um dos principais produtos das exportações brasileiras. A única esperança parece ser a tal dieta menos gasosa para os bois. Ou então, reduzirmos o consumo mundial de carne.
A devastação na Amazônia é provocada pelos pecuaristas, que desmatam para cultivar os pastos. E por carvoeiros, que produzem o carvão vegetal que alimenta os auto-fornos de um grande número de siderúrgicas. O processo de transformação da floresta em carvão vegetal acontece em fornos artesanais de barro, na borda da mata destruída. Uma dessas imensas oficinas de devastação foi flagrada pelo fotógrafo Rodrigo Baleia, que faz trabalhos para o Greenpeace e para a National Geographic. A imagem é da na região de Dom Eliseu, no Pará.
Baleia falou com a gente sobre a foto.
“Desde do ano de 2000 venho fotografando a região Amazônica. De lá para cá só tenho visto a desmatamento se alastrando. Nestes 8 anos posso garantir que a destruição e descaso andam de mãos dadas. Da mesma forma que consigo fotografar a floresta se tornar carvão para alimentar fornos de uma siderúrgica no estado do Pará. Nossos senadores também poderiam fazer algo, mas esses preferem defender Amazônia somente em seu discursos sobre algum palanque. A foto dos fornos retratam o passado, presente e futuro da região Amazônica. Retrata o tipo de Brasil que teremos para nossos filhos caso continuemos acreditando mais na internacionalização da Amazônia do que falta de vontade politica dos nossos governantes.”
Editor de Ciência & Tecnologia da revista Época. Cobre meio ambiente há 16 anos. Já ganhou alguns prêmios, como o Reuters-IUCN Media Award. Diz que está preocupado com o aquecimento global, mas só quer salvar a praia de Ipanema.
Luciana Vicária
A repórter da ÉPOCA já enfrentou lacraias venenosas na Amazônia. Adora animais, mas já matou um peixe beta (ela jura que foi sem querer!). Há um ano, usa caixas de papelão no lugar das sacolas de plástico no supermercado.
Juliana Arini
A mato-grossense Juliana Arini cobre meio ambiente há 12 anos. Já trabalhou para ONGs, como o WWF, e produziu reportagens para a National Geographic. Tenta convencer os paulistas a parar de comer hambúrguer para salvar a Amazônia.
Marcela Buscato
Repórter da revista ÉPOCA. Não pisa em nenhum terreno off-road sem seu salto agulha. Tem medo do aquecimento global, mas não gosta dos ecochatos.