Vários atletas já reclamaram que a poluição chinesa poderá atrapalhar seu desempenho nas Olimpíadas, que começam agora em agosto. Para o pneumonologista Gokhan Mutlu, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, os espectadores também devem se preocupar.
Segundo Mutlu, aspirar altos níveis de poluição por 24 horas já seria suficiente para causar derrame e ataque cardíaco em pessoas mais suscetíveis (aquelas com fatores de risco para doenças cardiovasculares, como pressão alta, diabetes, obesidade).
Mutlu descobriu o mecanismo que torna a poluição do ar tão perigosa. As microscópicas partículas de poluição, quando aspiradas, fazem o sangue se torna mais denso. O sangue espesso faz com que nossos pulmões se inflamem e liberem uma substância que aumenta a coagulação do sangue. Os coágulos podem bloquear vasos sangüíneos e causar derrames e infartos.
“Pessoas que assistirão às Olimpíadas e depois enfrentarão vôos longos de volta para casa têm mais chances de ter algum problema”, diz Mutlu. “Se um coágulo atingir os pulmões pode causar embolia pulmonar, que pode matar.”
22/07/2008 As mudanças climáticas para as crianças
O estudante Murilo Hideki Ashiguti, de 12 anos, viajou para a Nova Zelândia ao vencer a 17ª edição do Concurso Internacional de Pintura Infantil sobre o Meio Ambiente, uma iniciativa global do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), do Grupo Bayer e da Fundação para a Paz e Meio Ambiente (FGPE).
É a primeira vez que um brasileiro vence a etapa que premia o melhor trabalho da América Latina e Caribe. O tema do concurso foi “Mudanças Climáticas: atitudes que podemos ter agora para redagora para reduzir nosso impacto negativo”. Abaixo, o menino, e alguns vencedores da última edição, fotografados onde vivem. Os traços variam muito. Mas a mensagem é uma só: as crianças estão conscientes de que as mudanças climáticas estão transformando o planeta. E sabem que as conseqüências são trágicas.
O jovem brasileiro com sua obra de arte. Ao fundo a cidade de São Paulo. Murilo acha que pequenas mudanças de atitude podem salvar o planeta.
Lakshmi Shree na cidade de Bangalore no sul da Índia, país que apresenta altas taxas de desmatamento.
A menina Renée Wang ao norte de San Diego. No verão de 2007 a área foi tragicamente atingida por incêndios florestais.
Zayaan Masood, de Bangladesh (camiseta amarela). A capital Dhaka, onde vive, é freqüentemente atingida por inundações.
Jiang Ziang, de 9 anos, de Pequim, pintou os efeitos da queima de carvão.
A londrina Charlotte Sulivan, de 11 anos, venceu a última edição do concurso.
Há cerca de dois meses a área arborizada preservada pelos moradores do Parque Continental, zona oeste de São Paulo, recebeu a visita de um casal de pica-paus, um macho de crista amarela e uma fêmea sem topete. Desde que descobriram a área, cortada por um riacho e com algumas plantas frutíferas, os pica-paus passaram a ser presença constante por ali.
O casal elegeu o jardim da casa da minha mãe para se alimentar todas as manhãs. No começo, eram bem ariscos. Mas com o passar do tempo perderam o medo e a timidez das câmeras. Tirei foto deles em todos os ângulos, até levei a foto para um amigo biólogo me ajudar a identificar a espécie.
Há um mês fiquei preocupada com o sumiço dos dois. Durante quatro semanas eles não visitaram o jardim nenhuma vez. O pessoal do bairro começou a falar. Uma senhora do fim da rua disse que viu um sujeito em cima de uma árvore com uma redinha. Uma outra disse que os viu voando da janela do ônibus e que, portanto, eles estariam em liberdade.
Para nossa surpresa - e alegria - eles voltaram a aparecer. Não dois, mas três. O casal estava afastado para cuidar do filhote, batizado de “picapinho”. A nova família ainda quer distância das câmeras. Não consegui fotografar o picapinho. Mas resolvi contar esta história assim mesmo.
Eu me antecipei porque, no fundo, sempre que olho para eles, penso que pode ser a última vez que os esteja vendo ali. É difícil não achar que são estranhos no ninho - e que estão ameaçados por uma cidade tão cinza e pouco acolhedora.
“A TetraPak, fabricante de embalagens longa vida, oferece um novo serviço para os neo-conscientes: o Rota da Reciclagem. Através de um mashup no Google Maps, você digita o seu endereço e encontra cooperativas, postos de entrega voluntária e comércios que recebem as embalagens (e não só) para encaminhar à reciclagem.
“Testei um pouco o serviço, com endereços genéricos e aleatórios (Rio de Janeiro e Vitória) e o trem funciona direitinho. Teve gente no Twitter dizendo que tinha se localizado. (espero que leve seu lixo para lá a partir de agora). O bacana é que eu sempre separei o longa vida (lavo e deixo secar, sim, que ninguém merece lixo sujo).”
“A Comanche, que produz etanol e biodiesel com capital norte-americano e expertise brasileira, se propõe a ir até a porta da sua casa ou estabelecimento para buscar o óleo de cozinha. Ganham eles, com matéria prima para o seu biodiesel, ganha o ambiente - porque a gente já sabe que 1 litro de óleo polui milhões de litros de água.
“Para doar, é fácil, simples e indolor. Você peneira o óleo e guarda (sem resíduos sólidos e depois que esfriar, por favor) numa garrafa PET. Tampa e convoca o batalhão verde da empresa (telefone: 0800-723-1180 ou pelo e-mail doeoleo@comanche.com.br).
“Para hotéis, bares e restaurantes, é preciso usar os galões que a própria empresa fornece (os volumes são maiores). Mas o canal de contato é o mesmo.”
Jan Chipchase flagra uma solução engenhosa para armazenar garrafas PET a serem recicladas. O faxineiro que fazia a limpeza das calçadas na cidade de Handan, na China, apertou as garrafas no puxador da lixeira.
Rob DeSalle, curador do Museu de História Natural de Nova York, deu uma palestra durante a exposição Revolução Genômica, para explicar as mudanças causada pelas pesquisas genéticas. DeSalle ajudou, por exemplo, a desenvolver um teste genético para identificar a espécie de peixe que dava origem ao caviar comercializado nos Estados Unidos. Graças a isso, ficou provado que as saborosas ovas vinham de três espécies de esturjão gravemente ameaçadas de extinção que, por isso, foram declaradas protegidas.
Analisar em detalhe o genoma humano vem permitindo reconstruir as rotas de migração do homem ao longo dos milênios. Embora digam muito sobre os caminhos da humanidade, essas informações não revelam as origens de cada pessoa, advertiu o geneticista. Com toda a miscigenação que acontece há milhares de anos não é possível, por exemplo, encontrar um único ancestral para cada continente. "A única coisa que sabemos é que a origem de todos os humanos está na África", concluiu.
Editor de Ciência & Tecnologia da revista Época. Cobre meio ambiente há 16 anos. Já ganhou alguns prêmios, como o Reuters-IUCN Media Award. Diz que está preocupado com o aquecimento global, mas só quer salvar a praia de Ipanema.
Luciana Vicária
A repórter da ÉPOCA já enfrentou lacraias venenosas na Amazônia. Adora animais, mas já matou um peixe beta (ela jura que foi sem querer!). Há um ano, usa caixas de papelão no lugar das sacolas de plástico no supermercado.
Juliana Arini
A mato-grossense Juliana Arini cobre meio ambiente há 12 anos. Já trabalhou para ONGs, como o WWF, e produziu reportagens para a National Geographic. Tenta convencer os paulistas a parar de comer hambúrguer para salvar a Amazônia.
Marcela Buscato
Repórter da revista ÉPOCA. Não pisa em nenhum terreno off-road sem seu salto agulha. Tem medo do aquecimento global, mas não gosta dos ecochatos.